Jornal Nacional na CopaJornal Nacional na Copa
07.07.06

Conspirações

Angela, teoria conspiratória não falta - e não vai faltar... Eu pessoalmente não tenho nenhuma, mas desfio abaixo algumas 'coincidências' que tenho ouvido...

- a final de 98 foi uma disputa entre a Adidas(França) e a Nike(Brasil), vencida pela primeira...;
- em 2002, as duas marcas voltaram a uma final de Copa (Adidas, Alemanha), mas a Nike (Brasil) desta vez saiu vencedora...;
- agora, pra não restar dúvidas de quem é a melhor marca esportiva do mundo, quem faz a final é a Adidas (França) e a Puma (Itália), que pertencem a dois irmãos da família Dassler, que se odeiam, brigaram e fundaram as duas companhias separadas...;
- isso sem contar na cabalística do confronto: a Itália, assim como aconteceu com o Brasil, espera pelo tetra há 24 anos (foi campeã em 82); a cada 12 anos, desde 1970, os italianos chegam a uma final (foi assim em 82, venceram, em 94, perderam, e agora); e parece que em cada ano em que foi campeã, a Itália marcou 12 gols (até agora foram 11).
Acho que a mística em torno da Copa é alimentada por esse tipo de comentário, ilação, especulação, ou o nome que se queira dar...O que aconteceu no jogo entre Brasil e França certamente vai alimentar, ainda, dezenas de teorias conspiratórias... Mas, como vc prefere, no popular, falta de vergonha, de interesse e de prazer em vestir a camisa amarela podem perfeitamente explicar o pífio desempenho da maioria dos nossos jogadores...

Ari Peixoto - repórter Postado por: JN na Copa
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07.07.06

Curiosidades de Potsdam





Potsdam, uma das últimas cidades onde estive, acompanhando a Ucrânia, fica a menos de 30 km de Berlim, portanto, do antigo lado oriental da Alemanha...É um lugar interessante, sede de vários filmes que procuram retratar o país durante a guerra fria.. Um cenário perfeito, como se pode ver na primeira foto, um exemplo dos prédios iguais, de mesma altura e arquitetura espalhados pela cidade...E é, também, um dos poucos lugares da Alemanha onde é possível ver, pelas ruas, carros do período comunista que não são ítens de colecionador.

Ari Peixoto - repórter Postado por: JN na Copa
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07.07.06

Verdade??Jura??

Há coisas inexplicáveis.
Por que a água para lavar os cabelos nos salões de beleza começa morninha e termina gélida?
Por que sempre encontramos alguém conhecido na rua quando estamos bem barangas?
Por que as mães sempre sabem quando vai chover?
Mistérios! Estou falando disso porque amanhã faz uma semana que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo. Explicações? Várias e nenhuma. Os especialistas ainda estão num blá-blá-blá danado, apontando culpados, num tremendo clima de 'eu já sabia'. Eu não sabia de nada! Tantos times já ganharam torneios com futebol feio e furreca... Podia ser o nosso caso nesta Copa! Cantilena enfadonha, diria alguém... Eu prefiro as charges, as versões populares... Hoje me perguntaram "Você que é jornalista (sempre tremo quando a conversa é introduzida assim) já soube que desta vez foi o Kaká que teve uma convulsão? Foi um amigo de um amigo de um amigo...que estava na Alemanha que contou". A Ana Paula, da produção do JN, atendeu ao telefonema de uma telespectadora que dizia ter certeza, já que era médica, de que todos os nossos jogadores e também a comissão técnica tinham sido dopados no jogo contra a França. Armadilha de uma multinacional de produtos esportivos, que só queria times europeus na final - "Não viu a cara de aparvalhado do Parreira??", concluiu ela. Adoro teorias conspiratórias! Alguém tem mais alguma?
Comentários para este blog.

Angela Garambone - editora do JN Postado por: JN na Copa
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06.07.06

A Copa na TV mexicana

Eu e o cinegrafista Lúcio Rodrigues estamos na Cidade do México para cobrir a eleição usando a velha e consagrada tática “gato-e-sardinha”. Ou seja, um olho na Copa e outro no trabalho.

Aliás, dentro do espírito da Copa e diante do persistente empate na eleição, ouvi mais de uma pessoa sugerir que os dois candidatos, Lopez Obrador e Felipe Calderon, disputassem a presidência nos pênaltis em pleno estádio Azteca.

Mais divertida do que os jogos da Copa é a transmissão da TV mexicana. O programa pré-jogo de França e Portugal tinha uma penca de comentaristas (uns 5 ou 6, entre eles o ex-atacante da seleção argentina, Gabriel Batistuta). Eles debatiam as possibilidades de cada time, quando entraram no estúdio outros dois participantes do programa. Um fantasiado de juiz de futebol e outro de cachorro (!). Lá pelas tantas, começaram a passar a mão na cabeça de Hugo (esse era o nome do cachorro) para que ele parasse de latir.

O repórter que está na Alemanha tem jeito e fala como lutador de vale-tudo. Parece o Wilson Montanha, só que careca e de óculos escuros o tempo todo. Saca a figura???

O narrador berra 90 minutos (ou 120, ou quanto tempo for necessário). A toda hora ele diz: “Su majestad imperial todavia no llegó al estádio”. Será que ele estava se referindo ao Pelé? Ao rei da Espanha? Levei uns três jogos para me dar conta que “su majestad imperial” é o gol. Enquanto ninguém marca, ele continua exigindo a presença de “su majestad imperial” no estádio.

O comentarista entende tanto de futebol quanto o Parreira. Não! Não é uma crítica ao nosso quase-ex-treinador. É um fato comprovado. No jogo Brasil-França, ele pedia a entrada do Adriano desde os 5 minutos do primeiro tempo, como única forma de o Brasil vencer a partida. Lá pelo fim do segundo tempo, o Parreira finalmente atendeu ao pedido. Isso deu uns 10 minutos de glória ao nosso comentarista, até ele se dar conta de que a substituição não tinha funcionado. Aí, tratou de mudar de assunto ligeirinho.

O que chama também a atenção aqui é a paixão dos mexicanos por futebol e a admiração pelo Brasil. Eles sofreram mais do que nós pela derrota contra a França. Desde aquele dia, quando nos identificamos como brasileiros, a resposta é sempre a mesma:

- Lo siento. Lo siento tanto por su derrota...

O que os mexicanos não entendem é que o nosso sentimento não é bem de tristeza. A melhor definição sobre o que sentimos em relação ao grupo que disputou esta Copa vestindo, mas não honrando, a gloriosa amarelinha, encontrei num diálogo de uma novela mexicana.
O marido, depois de ter aprontado pela enésima vez, disse para a mulher:

- Perdón, me equivoqué...

Ao que a mulher respondeu, com toda aquela dramaticidade mexicana:

- No, fui yo que me equivoqué contigo, Alfonso. Me he equivocado toda mi vida...

Roberto Kovalick - repórter Postado por: JN na Copa
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06.07.06

Allez les bleus



Eu estava na nave espacial de Munique, ontem à noite...A França era a última das GRANDES seleções a que eu ainda não tinha assistido ao vivo (não vi nenhum jogo do Brasil, mas essa é uma outra história). Precisava ver Zidane e cia. evoluindo pelo gramado, pra decidir por quem torcer...A Itália realmente surpreendeu (na semi, parecia que a Alemanha era a Itália, esperando os pênalties), eu já tinha feito jogos deles antes, entrevistei Totti, Pirlo (o que anda jogando é uma barbaridade) e ontem, enquanto voltava pro hotel, me decidi... A Angela tem razão, não dá pra ficar isento, impassível num jogo de final de Copa, nem que fosse entre Costa do Marfim e Trinidad&Tobago...Por isso, no duelo entre o cabeludo Pirlo e o careca Zidane, torcerei por les bleus...Pela história desta Copa, pelo exemplo de superação, que nós NÃO conseguimos dar, os franceses merecem apoio...Além disso, se vencerem, conquistam o segundo título, ao passo que a Itália se tornaria tetracampeã, hmmm, muito perto da gente...E se nada disso fosse suficiente, apelo para as raízes pessoais... entre o nome de origem hebraica e o sobrenome português, que uso profissionalmente, existe outro sobrenome, CHAUVET, que pesou definitivamente na decisão...

Allons enfants de la Patrie
Le jour de gloire est arrivé...

Ari Peixoto - repórter Postado por: JN na Copa
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05.07.06

Tetra ou bi? Reflexões de um careca

Apesar do sobrenome, fui lá eu assistir ao jogaço Alemanha x Itália com uma camisa do Ballack. Até agora a torcida aqui se comportou para lá de civilizada, mas não custa nada prevenir. Bobagem. A festa italiana invadiu Dortmund e o que tinha de torcedor alemão dançando a tarantela não estava no gibi. Bonito isso. Mas lá dentro, no assento 26 da fila 26 do bloco 77, vi uma Itália inacreditável. Corajosa, impetuosa, tocando a bola de primeira e com Andrea Pirlo encarnando Zidane. Lembro-me dos meses antes da Copa e não me lembro de ninguém que tenha chutado ou sonhado com uma final toda azul. Sendo que a França vai jogar provavelmente de branco em Berlim. Durante anos, o eleitorado feminino brasileiro teve uma queda pelo time italiano. Nesta versão 2006, não consigo ver algum galã. Talvez o Totti, com seu fenótipo etrusco, mas se o mulherio tropical resolver suspirar como suspirava em 1982, vou torcer para a França. Afinal, não é todo dia que um careca veste a 10 e é aplaudido pelo mundo todo. Mas que é muito bacana ver a berraria italiana disputando o caneco contra os contidos franceses... Dá croissant ou panetone?

Sidney Garambone – editor-chefe do Globo Esporte Postado por: JN na Copa
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05.07.06

Afinal, na final...

Ai, Jesus!
Portugal também perdeu pra França!
Tá dando tudo errado, tudo errado...
Pra quem torcer no domingo?
Será possível assistir a um jogo de Copa sem torcer por ninguém?
Vou tentar.
Duvido que consiga.
Ficar em cima do muro não combina comigo.
É uma arte, mas não tenho este dom.

Angela Garambone - editora do JN

Postado por: JN na Copa
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05.07.06

Decidido

Devemos torcer pela Itália ou pela França?
Vejamos:

ITÁLIA
1- A Itália é um país latino e, como tal, mais parecido conosco.
2- Os italianos são numerosos no Brasil e contribuíram muito com a nossa cultura.
3- Colonizaram parte do sul do país.
4- Na capital, São Paulo, e no interior do estado eles estão por toda a parte.
3- Eles são os inventores da pizza, do gorgonzola e do presunto de Parma.
4- Eles são os donos da Ferrari.
5- Eles têm Milão e Veneza; uma é a capital do design e da modernidade, e a outra a capital do romantismo, do amor e dona do melhor carnaval do mundo, apesar das controvérsias.

FRANÇA
1- A França também é um país latino, mas os franceses falam só o que querem, como querem e com quem querem.
2- Eles não têm o perfil expansionista-colonizador, são xenófobos e nada anfitriões.
3- Cultivam a Costa Azul e pedalam pelo interior do próprio país, quase impenetrável.
4- São os inventores do patê de fígado de ganso, do brie e da baguete debaixo do braço.
5- Não gostam muito de banho, talvez por isso o esgoto de Paris seja tão cheiroso.
6- Fabricam carros que as mulheres adoram, como pegeouts, renaults e citröens.
7- São os donos da cidade luz cheia de museus e bistrôs.

Por isso, não restam dúvidas.
Temos que torcer pela...

FRANÇA.

Por quê?
Porque eles são os nossos carrascos.
Adoram nossas prostitutas.
Dão emprego aos nossos travestis.
Compram discos do Chico Buarque.
E adoram pegar praia em Búzios, pular o Carnaval no Rio e jogar futebol contra a gente!!!

Marco Aurélio Mello – editor do JN-SP Postado por: JN na Copa
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05.07.06

Vai entender

Escândalo no futebol...Dirigentes, técnicos, jornalistas, ex-jogadores e árbitros envolvidos num sofisticado esquema para 'arrumar' resultados... Um promotor querendo a queda de três dos maiores times do país para a série B e de outro gigante para a série C, com a perda de títulos conquistados recentemente e de pontos no início dos respectivos campeonatos... É o que acontece na... Itália, cuja seleção acaba de se classificar para a final da Copa do Mundo...Nas próximas semanas, independentemente do que acontecer em Berlim, dia 9 de julho, poderemos ver a Juventus -time onde jogam Canavarro, Zambrotta, Del Piero, Bufon e Camoranesi- cair para a terceira divisão italiana; e o Milan (Materazzi, Gattuso, Gillardino,Nesta, Inzaghi e Pirlo); a Fiorentina (Luca Toni); e a Lázio (Peruzzi, goleiro reserva, e Oddo) para a segunda divisão...Enquanto isso, nos campos germânicos, os citados e ameaçados jogadores, que formam mais da metade da seleção italiana, seguem sua trajetória em direção ao tetra deles...Me lembra 82, quando Il Bambino d'Oro, Paolo Rossi, chegou à Espanha depois de ter cumprido pena de suspensão por ter colaborado com um esquema parecido...E em 82, os caras foram campeões...É meio maluco isso, né não?????????"

Ari Peixoto - repórter Postado por: JN na Copa
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05.07.06

O mesmo bla, bla, bla...

Chico, é claro que o time estava rachado, dividido em grupos...Possivelmente, um grupo queria que os mais novos jogassem e o outro, provavelmente formado pelos medalhões, queria o contrário...Concordo com você com relação às tarefas de um técnico.. Mas, mais que isso, cabe a ele barrar qualquer interesse pessoal que, eventualmente, se oponha ao interesse coletivo... E a história dos recordes do Ronaldo e do Cafu - estimulada por parte da imprensa, bom que se diga- era isso... O Parreira tinha obrigação de chamar o grupo e mostrar que, tudo bem, os dois estavam a ponto de fazer história, mas que, em primeiro lugar, eles deveriam jogar para a seleção, pra depois pensar nos recordes...A trajetória da seleção nesta copa mostra claramente que nosso treinador não tinha o time nas mãos, e, pior, se curvou à vontade e ao capricho de uma parte dele...Quando o Scolari barrou o Romário em 2002, foi massacrado, execrado, xingado e todos os outros 'ados' possíveis, mas mostrou personalidade, manteve sua decisão e levou o time ao título...Ficou claro que, em 2006, a divisão no time levou à derrota e essa é uma história que se repetiu como tantas outras... E Marx dizia que a história que se repete é uma farsa... O pior, pra mim, é que a História registrará, na letra fria das estatísticas, que o Brasil foi eliminado pela França nas quartas de final da copa 2006 (sem dizer que o time jogou mal, que só deu um chute a gol aos 43 do segundo tempo, etc, etc, etc); que Ronaldo bateu o recorde de gols em copas(mas não que os gols foram feitos contra seleções de segunda); e que Cafu bateu o recorde de partidas em copas (mas não que, pra isso forçou a barra pra se escalar, mesmo em más condições físicas e técnicas)... Só nós faremos a estreita ligação de causa e consequência entre as três afirmativas...E, como sempre acontece, exigiremos mudanças, desde o técnico até o ponta-esquerda, apenas pra ver, mais adiante, que o novo treinador vai convocar as estrelas, e elas vão arrebentar nos amistosos, nem tanto nas eliminatórias, e, classificadas para a próxima copa, vão prometer a sexta estrela no escudo, bla, bla, bla...

Ari Peixoto - repórter Postado por: JN na Copa
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