04.07.06
E ainda temos que engolir...
A história das Copas nos ensina muita coisa. Aprende quem quer.
Parreira barrou Raí em 94. Antes da Copa, já tinha barrado o Branco - intocável até então. Agora me diz: por que o Parreira deixou o lateral veterano no banco lá nos EUA (lateral que decidiu a parada quando entrou, bom que se diga) e ficou refém dos velhinhos pentacampeões?
Outra: por que diabos o Cafu demorou tanto pra sair de campo? Se ele estivesse minimamente comprometido com a equipe, com a seleção, teria jogado a braçadeira de capitão pro Dida e saído correndo pela linha de fundo, rapidinho. Ah! mas isso seria indigno para um recordista de jogos e vitórias em Copas!
A atitude de Cafu, na verdade, apenas refletiu a apatia do próprio técnico. E o que se espera de um treinador?
1- que estimule a competitividade entre os atletas, titulares e reservas.
2 - que TREINE opções para a equipe.
3 - que escale os MELHORES NO MOMENTO
Isso é só o básico. O grande filósofo do futebol nos idos românticos, Neném Prancha, já dizia: "jogador tem que ir na bola como se ela fosse um prato de comida".
Na seleção brasileira dessa Copa, a máxima deveria ser reescrita: "Jogador tem que ir na bola como a uma concessionária de importados".
Tô mal.
Chico Walcacer - editor do JN
Postado por: JN na Copa
04.07.06
Samba pós-Copa
Concordo com o Ávila, depois que o Brasil foi eliminado, a Copa ficou meio sem graça, mas ainda assim é Copa...Agora, duro mesmo, meu camarada, é ler que no dia seguinte à da desclassificação, Ronaldinho Gaúcho e Adriano fizeram uma "comemoração", com samba, pagode, churrasco e uma ida a uma boite onde eles ficaram até cinco da manhã...Confirma uma tese que me parece pior do que falta de raça ou de desejo de vencer... O que houve foi uma grande indiferença...
Ari Peixoto - repórter
Postado por: JN na Copa
04.07.06
Tutto buona gente
Em campo duas seleções bem preparadas fisicamente e com raça. Foi o que se viu na prorrogação de Itália x Alemanha. Há muito tempo eu não assistia a um jogo tão bom - me refiro aos 15 minutos finais. Grosso acreditou, chutou e não acreditou que era dele o primeiro gol da partida! "Ah, io ando pazzo! " (Ah, eu tô maluco!), ele deve ter pensado, ao balançar a cabeça, boca aberta ao correr pelo campo, sem rumo. Não demorou muito e Del Piero, que começou no banco, fez o dele também. Pobres alemães! Perder em casa deve ser mesmo uma desgraça! Mas a Azzurra merece mesmo chegar à final. Que time: Buffon, Grosso, Cannavaro, Gattuso, Luca Toni (Gilardino), Totti, Camoranesi (Iaquinta), Zambrotta, Perrota, Pirlo, Materazzi (Del Piero) e Garambone. Gente, foi só uma piadinha infame! Meu vovô Pasquale deve estar gargalhando lá no céu. De felicidade, não da minha gracinha...
Angela Garambone - editora do JN, com a ajuda luxuosa da quase xará Angélica Brum
Postado por: JN na Copa
04.07.06
Um pouquinho mais...
Depois que o Brasil saiu da Copa, dá aquela tristeza ver os jogos. Não dá pra não ver, é claro. É Copa do Mundo! Quatro anos esperando, acreditando que a gente estava na boa. Não estava. Mas vendo os que ficaram, me dá aquela sensação de que se nossa seleção tivesse jogado só um pouquinho mais, feito o feijão com arroz, mostrado algum futebolzinho, dava pra levar pelo menos até a final. Fiquei aqui no sábado, fechando o jornal, torcendo por um golzinho aos 46” - mesmo sabendo que isso nos traria muitos problemas, pressa, correria, stress. Mas, com felicidade tudo se resolveria. Mas, nada. Ilusão. Pra mim, faltou desejo de vencer, raça, coisa que parece não ter havido nunca. Dos que ficaram, nada de novo. Futebol sem grande qualidade. A diferença é a vontade com que todos jogam. Argentina e Alemanha também estão fora. Mas com aplausos. De todos!
Luiz Fernando Ávila – editor do JN
Postado por: JN na Copa
04.07.06
Não deu pra Alemanha...
Não foi um jogo onde as estrelas brilharam... Quem esperava ver Ballack e Totti, deve ter se decepcionado...Os dois firularam muito, e foi só...E a Itália manteve a escrita de nunca ter perdido para a Alemanha em Copas do Mundo...Uma pena os anfitriões terem saído nas semis... Mas tiveram o mérito de (re)unir um país...O choro dos alemães é um choro santo, de quem sabe que lutou até o fim, até o último minuto em busca da vitória...
Agora, Chico, Jacomo e Basbaum, sei que vocês já devem estar se movimentando aí pra escolher a seleção da Copa... Desde já, permito-me a audácia de enviar algumas sugestões...A minha seleção seria: Ricardo (Portugal), Zambrotta (Itália), Canavarro (Itália), Lúcio (Brasil) e Lahm (Alemanha); Pirlo (Itália) Zé Roberto (Brasil) Maniche (Portugal) e Zidane (França); no ataque, a escolha é grande, mas Gillardino (Itália) e Rooney (Inglaterra) são minhas opções...
Ari Peixoto - repórter
Postado por: JN na Copa
04.07.06
Substituição nas vitrines

O flagrante foi feito hoje cedo aqui na famosa Marienplatz, centro de Munique... No exato momento em que a vendedora da loja de artigos esportivos começava a cobrir a foto do Roberto Carlos chutando (só na foto mesmo), no anúncio da Nike...Uns quinze minutos depois, o ex-lateral esquerdo da seleção tinha desaparecido debaixo de uma outra foto, com o Cristiano Ronaldo... Faz sentido...
Ari Peixoto - repórter
Postado por: JN na Copa
04.07.06
Leal(dade)
Amanhã, torceremos por Portugal. A decisão é quase unânime entre os que conheço. Ontem mandei uma mensagem pra uma grande amiga minha que mora na Terrinha, Cristina Almeida. Também brasileira, também jornalista, também leitora do blog. Está há muitos anos lá, tem três filhos portugueses. A resposta dela é mais um incentivo para que o Brasil torça pelo time de Felipão. Leiam um trecho:
"No Sábado foi dureza!!! Vi o jogo na casa de uns amigos de uma amiga, com direito a churrasco. Éramos umas 40 pessoas. Quase todos brasileiros de 40/50 anos com os filhos. Chegou tudo com camisetas de Portugal, gritamos e torcemos por Portugal e, acabado o jogo, foi todo mundo mudar para as cores do Brasil. Chegou a ter fila para o banheiro para as mulheres trocarem as camisetas. Eu tinha duas bandeiras amarradas: uma brasileira e uma portuguesa. 8 da noite, e aí aquele jogo em que só a França parecia que estava lutando… Ao mesmo tempo que dava uma enorme tristeza e desolação, a gente só pensava: mas os caras estão merecendo perder, ninguém está com garra, ninguém está mostrando o que vale…Apito final, Brasil fora da Copa. Viva o Felipão! Viva o Figo! Viva o Deco! Viva o Miguel (grande jogador!), Viva o Cristiano Ronaldo! Um viva a todos os grandes jogadores "tugas" que vão à luta! E viva Portugal!"
Vocês sabiam que a seleção portuguesa costuma ouvir um hit do Roberto Leal, em ritmo de samba, antes dos jogos mais importantes? Estão ligando o nome à pessoa? Roberto Leal foi conservado em formol! Confiram no Jornal Nacional de hoje!
Angela Garambone - editora do JN
Postado por: JN na Copa
04.07.06
Resoluções pós-Copa
À maneira daquelas resoluções que a gente costuma tomar no Ano Novo - tipo vou entrar pra academia, vou emagrecer 10 kg, etc e tal - andei pensando e decidi tomar algumas atitudes depois de ver o que eu vi nesta Copa...Por isso, na volta ao Brasil, eu vou:
- prestar mais atenção aos campeonatos brasileiros de futebol, vôlei e basquete;
e
- NÃO vou mais assistir aos jogos do campeonato espanhol de futebol;
- NÃO vou mais assistir aos jogos do campeonato italiano;
- NÃO vou mais assistir aos jogos da Liga dos Campeões da Europa;
- amistosos da seleção brasileira estão sub-júdice;
- jogos da NBA também.
É isso...(já começo a sentir a tremedeira causada pela abstinência...mas vou tentar)...
Ari Peixoto - repórter
Postado por: JN na Copa
03.07.06
Despedidas
Eles chegaram com esperanças, mas com desconfianças. Com um técnico e um esquema tático questionados, alguns jogadores em recuperação e sem ritmo de jogo. Começaram com vitórias pouco convincentes, na esperança de crescer na competição. Não passaram das quartas-de-final, e agora todos se perguntam o que saiu errado, e o que fazer para renovar o time.
Essa descrição serve para os dois times eliminados no sábado: Brasil e Inglaterra. Mas com uma diferença: a Inglaterra saiu de cabeça erguida, fazendo a melhor partida deles na Copa, lutando até o fim, ameaçando o adversário mesmo com um homem a menos. E ainda com um exemplo de humildade: David Beckham, às vezes criticado por seu lado de popstar, logo depois do jogo anunciou a decisão de não ser mais o capitão do time. Disse que se (notem bem o "se") voltar a ser convocado, volta a jogar, mas acha que é hora de passar a liderança do time para outro.
Futebol, principalmente na Copa do Mundo, não é uma ciência exata. É uma mistura de tática, liderança dentro e fora de campo, talento, união e determinação. Mas há uma coisa intangível, que a gente pode chamar de vontade, garra, raça, o que for. É a mistura do coração com a frieza na hora da decisão. E é aí que nos faltou alguma coisa.
Mesmo naquele começo hesitante, defendi o Parreira e os jogadores. Tínhamos o talento, e um técnico que já havia ganho uma Copa com um time muito mais limitado que este. Achava que na hora H eles iam demonstrar essa garra - mas foi justamente o que nos faltou, e justamente contra um adversário que tinha muitos dos mesmos problemas: uma França que envelhecia, que teve que pedir socorro durante as eliminatórias a um Zidane que já havia anunciado a aposentadoria e voltou atendendo a pedidos, com um técnico criticado, que começou mal. Mas a França sim soube buscar esse algo mais na hora de decidir. Aquela vitória contra uma Espanha vibrante e mais jovem deveria ter servido de alerta.
Zidane, esse sim, incorporou o espírito de Copa e passou isso pro resto do time. De repente, essa passou a ser a Copa - e a partida - da vida dele. Tratou de dar tudo o que podia dentro de campo. Só a nossa defesa demonstrou esse espírito, e com meio time não dá pra ganhar nada. É um espírito que os quatro semi-finalistas demonstraram, e nós não.
Mas quando a poeira baixar, gostaria de lembrar que esses jogadores e o técnico já nos deram grandes títulos - duas Copas e um vice em quatro torneios não é nada mau. O fato é que esquecemos que antes disso tivemos um longo jejum pelo qual os mais jovens não passaram, e nos desacostumamos às dificuldades.
Então bola pra frente.
Eric Hart - editor do JN
Postado por: JN na Copa
03.07.06
Vamos com calma
Ver o Brasil jogar mal revolta, a gente reclama, berra, grita, discute com todo mundo, arranja culpados, tem vontade até de jogar álbum de figurinha fora, mas, pelo amor de Deus, vamos ficar só nisso! Ontem, no Fantástico, já foi triste ver torcedores brasileiros vaiando os nossos jogadores na saída do hotel, batendo na lataria do ônibus, xingando em praça pública. Hoje a cena se repetiu por aqui nos aeroportos. Uns meninos deram entrevista elegendo os jogadores que eles queriam xingar. Ouvi um, perto do colégio dos meus filhos, dizendo que queria apedrejar o Cafu e o Roberto Carlos. E agora a notícia de que vândalos incendiaram uma estátua do Ronaldinho Gaúcho, em Santa Catarina! Isso me lembrou um episódio de 2002, quando o ônibus que trazia os pentacampeões foi atacado por torcedores indignados com o roteiro modificado em cima da hora. Ou seja: apedrejam na derrota e na vitória? Isso não faz sentido! Existem outros meios mais civilizados de protestar. Que cada um ache o seu.
Angela Garambone - editora do JN
Postado por: JN na Copa