30.06.06
O placar da redação
O futebol deixou de ser um papo só de homem já faz algum tempo. A piadinha que mulher não sabe o que é escanteio, pênalti, impedimento e etc já é velha. Outro dia mesmo estava lendo sobre mulheres que estudam para ser bandeirinhas. Os homens que tomem cuidado.
Aqui na redação, como na de Nova York, a tendência não poderia ser diferente. No bolão que fizemos com os possíveis resultados nas quartas-de-final duas mulheres estão liderando o ranking.
Os homens, que são os mais palpiteiros de plantão, já estão querendo mudar as regras do jogo agora. Tarde demais, ficaram na lanterninha.
Pode ser que o resultado final mude, pode ser que eles nos surpreendam como fez a França nesse último jogo. Mas, se tivesse que dar um palpite nesse placar, eu apostaria no favoritismo feminino para ganhar esse bolão!
Fabiana Gabriel - produtora do site JN
Postado por: JN na Copa
30.06.06
Rap alemão
A tevê alemã tem uma coisa legal, que eles criaram pra esta Copa... O jogo contra a Argentina acabou às sete, sete e pouco da noite... Agorinha, às onze e quinze, um grupo de rap, o Blumem Topf, já mostrou uma música que fez sobre o jogo... Com imagens da partida e referências explícitas aos gols, aos lances, e aos pênalties perdidos e/ou defendidos pelo Lehman, depende do ponto de vista... É uma idéia legal e mostra a criatividade dos caras... Já é a segunda que vejo deles, a outra foi nas oitavas, contra o Equador...
Ari Peixoto - repórter
Postado por: JN na Copa
30.06.06
Por um sábado mais feliz
Naquele domingo de 1998 tínhamos a certeza da vitória. Afinal de contas, o Brasil tinha feito uma belíssima copa e era o favorito absoluto na final contra a França. Alegria geral. Casa aberta. Música alta. Todo mundo de blusa amarela. Mas foi rolar a bola para toda confiança vazar pela janela. Aquele Brasil nem de longe lembrava a seleção de estrelas, a favorita que tão bem atuou nos outros jogos daquela copa. Já no fim do primeiro tempo a França ganhava. Dois a zero. Tristeza, silêncio. Não havia como reagir. O time estava fraco e um milagre era impossível. Não havia show do intervalo. Desiludidos eu e meu xará Francisco saímos caminhando pela cidade. Afinal de contas, não íamos mesmo ver o Brasil ser campeão. Observar as ruas vazias poderia ser mais interessante. Andamos pela Av. do Contorno, equivalente a Presidente Vargas no Rio e Marginal Pinheiros em São Paulo. Durante o segundo tempo nenhum carro passou. Deitamos no asfalto, sabíamos que esta oportunidade não se repetiria. Ficamos lá por muitos minutos e quando achamos que o jogo tinha acabado voltamos para casa. Só entendemos que a tragédia tinha sido pior quando vimos quatro moradores de rua chorando ao redor de um radinho.Gol de Zidane, o terceiro dos azuis. O desastre era definitivo e a França campeã.
Espero que amanhã sintamos o delicioso gosto da vingança, ou melhor, da VITÓRIA !!! Que o Brasil devolva pelo menos aqueles três gols que até hoje estão entalados em nossas gargantas.
PS.: Em uma copa em que o lema é não ao racismo pegou muito mal a declaração de Thierry Henry dizendo que brasileiro joga bem porque não vai à escola. Eis mais um motivo para a nossa goleada. Avante !
Francisco Regueira - produtor da Editoria Rio.
Postado por: JN na Copa
30.06.06
Tor, tor, tor...
No carro, dirigindo entre Gelsenkirchen, onde fomos fazer o treino da Inglaterra, e Oberhausen, onde estamos hospedados, ouvíamos o locutor alemão no rádio... Caraca, é uma experiência vc ouvir alguém narrando um jogo entendendo apenas -e mal- os nomes dos jogadores...Ali pelas tantas, imaginamos o tempo de jogo, já no segundo, ouvimos o narrador gritar a palavra mágica tor (gol em alemão), e em seguida o nome de Ayala...Parecia o Ari Barroso narrando gol contra o Flamengo (tipo: gol da Argentina, sem a menor empolgação)... Putz, gol dos argentinos, que droga, que coisa, puxa vida, que horror (claro que as nossas reclamações não são publicáveis, por isso vão essas aí)...e começamos discretamente a torcer, contra los hermanos, claro... E a estrada comendo, e nada do gol chegar, e o hotel chegando, e nada de gol...até que o locutor foi aumentando o ritmo da narração, ficando mais nervoso até gritar muitas vezes: tor, tor, tor, tor, miroslav klose, tor, tor, tor, achei que ele não ia mais parar... e nós, no carro, gritando gol, gol, gol da Alemanha empatamos, empatamos...Bem, o resto é história e sem final feliz para "eles"...E quem torceu contra os argentinos aí no Rio, em Frankfurt, em Munique, no Alaska, em Timbuctu, nas Ilhas Maurício, pode ter a certeza de que recebeu, diretamente da estrada Gelsenkirchen-Oberhausen, a nossa força...E as paredes do hotel ainda vão demorar pra se livrar dos gritos de "eu, eu, eu, a Argentina se deu mal"...
Ari Peixoto - repórter
Postado por: JN na Copa
30.06.06
A família Blog - e um adeus festejado
Quando surgiu a idéia do blog do Jornal Nacional da Copa, o objetivo era apresentarmos os bastidores de uma grande cobertura, que envolve quase 190 profissionais na Alemanha e outras incontáveis aqui no Brasil. O blog estreou com o Mundial e nos mostrou logo que não pode haver amarras ou determinações neste tipo de espaço. Aqui estão surgindo os bastidores sim, mas, muito mais que isso, diários, análises de jogos, escalações, gozações... O blog se impõe independente. Aqui há espaço para todos. E é tão bom acompanhar também os comentários... Alguns dos "comentaristas" - mais correto seria dizer algumas - são assíduos e passamos a conhecê-los como eles nos conhecem agora. Ontem, de casa (por causa de um probleminha de saúde), senti saudades. No fim da tarde fui dar uma espiadinha nesse meu filhote mais novo. Li o desprezo do Ávila pelo Zidane (ui!), a experiência do Losekann com o futebol narrado em hebraico ( kadima!), bati meu papo diário com a Carol (aliás, conhecer melhor a Carol, produtora do site do JN, é outra coisa boa desse blog), vi as nossas fotos pipocando em mais um dia sem futebol... Enfim, sentimental eu sou! Estou de volta pra cuidar do rebento mais de perto - e já nostálgica com a proximidade do fim do torneio. Ai, ai...
Pra concluir, por hoje, vocês precisavam ver o que aconteceu nessa redação na disputa de pênaltis entre Alemanha e Argentina! Nossas baias serviram de muro de Berlim: de um lado os que torciam pelos hermanos, do outro a torcida pelos alemães. Eu estava na torcida da Alemanha, acompanhada pelo Ávila, Eric, Lili, Monica e Bonner. Do outro, a maioria (certamente vou me esquecer de alguém): Vinicius, Jacomo, Bereicoa, Ana Paula, Carol, Paloma, Cris, Regueira, Bauer... Vaias, palmas, gritos de guerra... O resultado todo mundo já sabe. Surpreendente é essa gente toda torcendo por nossos maiores inimigos. Todos têm pelo menos mil argumentos pra essa, digamos, traição... Medo da Alemanha na final? Depois a gente pensa nisso. Agora é só cantar o tango: "Adiós, muchachos compañeros de mi vida...".
Angela Garambone - editora do JN
Postado por: JN na Copa
30.06.06


Torcida dividida: jogo mobiliza a redação do Rio de Janeiro.
Postado por: JN na Copa
30.06.06

Hora dos pênaltis: equipe da Globo em Frankfurt assitindo ao jogo Alemanha X Argentina.
Foto: Nilo Maia
Postado por: JN na Copa
30.06.06
Adiós muchachos...
Hora dos pênaltis, redação dividida: uns torcem pros hermanos, outros, por questão de príncípio, contra.
Quem torce pra Argentina tem argumentos: é a América Latina, é o terceiro mundo... ou, mais pragmáticos, acham que vai ser pior jogar uma final contra o time da casa.
Pra esses, eu pergunto: pra quem vocês acham que os argentinos vão torcer amanhã? Pra nós? Santa ingenuidade!
Me desculpem os hermanos, mas é fisicamente impossível torcer pra Argentina!
Principalmente pra quem já cobriu algum evento esportivo.
Explico: geralmente, nos centros de imprensa, as tevês da Argentina e do Brasil são "vizinhas". Foi assim quando trabalhei na cobertura da Olimpíada de 96 em Atlanta. E quando o Brasil perdeu a semifinal do futebol pra Nigéria, os queridos hermanos zoaram MUITO. Passavam na porta gritando "Kanu!" Entraram na redação, queriam entrevistar todo mundo pra explicar o "vexame."
Claro, tiveram o troco. Acabaram perdendo a final pra mesma Nigéria, e aí foi a nossa vez...
Quem esteve na Copa de 98 conta a mesma coisa. Eliminados nas quartas, os colegas argentinos invadiram a nossa redação e fizeram "trenzinho" depois da vitória da França na final.
Pois que façam as malas e boa viagem...
Eric Hart - editor do JN
Postado por: JN na Copa
29.06.06
Passatempo
Em dia sem futebol na Copa, algumas fotos da equipe para os nossos blogueiros de plantão.

Bonner, Ávila, Angela e Vinicius

Eric puxando a baia do JN

Chico e Jacomo (ao fundo)

Inês, Ana Paula e Dagoberto
Postado por: JN na Copa
29.06.06
"Fair Play on the Autobahn"

Chegamos a Oberhausen batendo a marca dos 7600 km rodados desde o dia primeiro de junho...Descontando aí uns 15% pela Holanda, Bélgica, França e Luxemburgo, o restante foi nas autobahns... E este cartaz aí da foto está em quase todas elas...Aproveitando o lema da FIFA (Our game is fairplay), a administração das rodovias também pediu jogo limpo no asfalto... Mas, peraí, as estradas alemães são das melhores na Europa, os motoristas respeitam regras básicas: quem está mais lento vai pela direita, quem está mais rápido pelo meio e quem vai à velocidade da luz pela esquerda... Desses é bom nem ficar na frente, mas se ficar, não é motivo pra apavorar. O cara não vai piscar farol, não vai buzinar, nem botar o braço pra fora com gestos obscenos e encostar o rosto no párabrisas pra mostrar a cara estúpida, os olhos rútilos de sangue e a faca nos dentes... Não, ele vai pacientemente diminuir a velocidade, esperar que vc cumpra o dever de sair da frente para que ele tenha o direito, novamente, de testar a teoria da relatividade...Caminhões e ônibus andam sempre pela direita, mas também ultrapassam... Só que, vejam só, usam a seta pra mostrar que vão... E quando vão e vc está na frente, não ficam a centímetros da traseira do seu carro como se fossem Tiranossauros-Rex rosnando para um poodle...Ninguém anda no acostamento, quando o trânsito tá engarrafado, todo mundo pára e vai devagarzinho...E quando vc está saindo de uma via secundária e vai pegar a auto-estrada, quem vem pela direita não disputa a vaga, abre pra esquerda, pra vc poder entrar na via principal sem problemas... Quer dizer, as coisas funcionam porque os motoristas ajudam...Então, o aviso de "Fair Play on the Autobahn" só pode ser dirigido a nós, os estrangeiros...Eu, da minha parte, tenho contribuído e acho que o Claudinho também...
Ari Peixoto - repórter
Postado por: JN na Copa