Jornal Nacional na CopaJornal Nacional na Copa
29.06.06

Quem tem medo de Zidane?

O Zidane que joga sábado é o matador da final de 98 ou o jogador desmotivado dos últimos anos? Quando assisto aos jogos do Real Madrid nos torneios europeus vejo um sujeito meia-boca tentando fazer jogadas básicas sem sucesso. Vez ou outra faz belas jogadas. Tem sido assim também com o Ronaldo. Mas não com o Ronaldinho. Este sempre joga bem no Barcelona. O time joga em função dele. A própria torcida sente que quando ele pega na bola vem coisa boa em seguida. Ronaldinho não está jogando bem na Copa. Ronaldo está se recuperando. E Zidane, que estava só passeando na Alemanha, fez um golaço e jogou muito contra a Espanha. Mas acho que o Zidane que joga amanhã é jogador desmotivado dos últimos anos tentando ser o matador de 98. E acho também que o Ronaldo de amanhã vai ser o Fenômeno de 2002. E que Ronaldinho vai ser o Ronaldinho do Barcelona. Não me ufano desta seleção. Mas estou muito otimista e aposto no Brasil. Esse Zidane aí, não dá medo não.

Luiz Fernando Ávila - editor do JN Postado por: JN na Copa
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29.06.06

Kadima Brasil!



Começa o jogo. O locutor, com a voz empostada, narra: Kadima (pra frente! - ou, pra cima!)... Yofi, Yofi (bonito, bonito)... Má? (o quê?)... Ló, ló, ló! (não, não, não)... Gooooooool! (Goooooool)... Sim, pelo menos gol é gol em hebraico. Dá para assistir. Mas... ouvir, é dose. Nunca pensamos, eu e minha mulher, Ana Lélia, que um dia sentiríamos tantas saudades do Galvão, do Cléber... Pior é o intervalo, quando um grupo de comentaristas discute (é discussão mesmo) o jogo. Os israelenses não estão na Copa. Se eles têm uma preferência? Eu diria que sim, pela Argentina - sede, segundo dizem, da segunda maior colônia judaica do mundo (a maior estaria nos EUA). Como muitos israelenses têm pelo menos um parente argentino, já viu, né? Dizem que há quatro anos a torcida era toda pró Brasil. Também, pudera... a Argentina deixou aquela Copa na primeira fase. Nota-se uma certa divisão entre árabes e israelenses (quisera o mundo que fosse apenas essa a diferença entre os povos que habitam a Terra Santa): no lado palestino a maioria dos ''brimos'' torce pro Brasil. Há cidades, como Der Dbwan, mostrada no Jornal Nacional e, recentemente, no Bom Dia Brasil, cujo prefeito e 30% da população têm cidadania brasileira. Lá a impressão que a gente tem é de estar em uma pequena cidade do interior do Brasil, tamanha a quantidade de bandeiras e de gente com camisetas da nossa (a ''deles'') seleção. Sobre assistir aos jogos, uma queixa geral: em Israel apenas uma emissora de TV a cabo transmite os jogos. Como no lado palestino a transmissão é aberta, o assunto virou piada. O Jerusalem Post, principal jornal daqui, publicou uma charge engraçadíssima. Mostrava israelenses pulando o polêmico muro de segurança para assistir aos jogos no outro lado. Embaixo da charge, apenas uma palavra: KADIMA!

Marcos Losekann – repórter – Jerusalém Postado por: JN na Copa
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28.06.06

Vamos com tudo!

Gente, calma aí...O Ribery foi o único que jogou bola nos Bleus...E é, sim, o cara que a gente tem que ficar de olho, é o Zé Roberto deles (e podia fazer par com o Tevez no Scarface F.C.)...Agora, Monsieur Zizou, não jogou tanto assim não, fez um belo gol, é verdade, mas a essa altura, se ele perde, podia sair direto pro vestiário... M.Henry também não fez nada demais no jogo, assim como Vieira, Makelele e os outros que são madeira de dar em doido, como batem les noirs...E n´oublies pas jamais qui os espanhóis são velhos conhecidos por chegar na segunda ou terceira fases da Copa e acionar o complexo de touro que eles trazem embutido há séculos... Entram em campo como numa plaza, sabendo que dali não passam, estão marcados pra morrer... No popular, "se quedan amarillos"... Também acho que o jogo de sábado será uma oportunidade interessante para igualarmos o placar... Em 86, eles foram à forra de 58...Em 98, eles pularam na frente...Agora, quem sabe, empatamos o jogo???É só jogarmos o que temos pra jogar, RGaúcho entrar em campo, Ronaldo não se preocupar com outros recordes, só em marcar, e RCarlos acertar um daqueles torpedos... Aliás, a minha receita é essa: chuta de longe que o goleiro é baixo e fraco!!! A propósito, Dida vence fácil a corrida pra melhor da Copa... Boa colocação, bons reflexos, tá agarrando muitoooooooooooo!

Ari Peixoto - repórter Postado por: JN na Copa
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28.06.06

(Re)Encontro marcado

Ronaldo dispara.

Está livre, de cara pro gol. Basta uma pedalada para o goleiro desabar. A bola escapa um pouquinho, mas ele toca pro gol antes do tranco do zagueiro. Um gol com a assinatura do melhor atacante dos últimos tempos.

Zidane dispara.

Bola na coxa, bola no chão, olhos no goleiro. Pura dissimulação. Ele sabe exatamente onde está Casillas, onde está Puyol. Um toque e a bola escapa um pouquinho. Não há posição para o chute seco. Zidane gira o corpo, e o pé direito - o do chute - quase toca o calcanhar esquerdo. A bem da verdade, mais um ´passo` do que um chute. Um gol com a assinatura do melhor meia dos últimos tempos.

Ronaldo e Zidane. Reencontro marcado pelos Deuses do futebol.

Chico Walcacer - editor do JN Postado por: JN na Copa
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28.06.06

Por uma despedida de Zidane

Depois de os cruzamentos formados fiquei pensando novamente na França.
Inevitável...
Vi novamente o gol de Zidane contra Espanha.
Revi...
Mais uma vez...
Em câmera lenta...
Que passada, que traquejo!!!
Técnica, plástica.
Que gol!
Como?
Aos 45 do segundo tempo?
Um jogador se despedindo do futebol, aos 34 anos?
Nessa hora um frio gelado me subiu a espinha.
Ai meu Deus espero que Zidane seja só o Zidane de 1998,
"Aquele a quem a bola jamais ousou ser indiferente" (N.R).
Ricardo temos algo em comum. O meu primeiro trauma no futebol tem haver com a disputa de pênaltis e veste azul, branco e vermelho.

André Basbaum - editor
Postado por: JN na Copa
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28.06.06

Batendo um bolão carioca





Assim como a Heloísa Villela, do escritório de NY e o Erick Bretas, chamado de pangaré paraguaio em SP, a gente também começou desacreditado, bem devagar mesmo, quase como dois Ronaldos... Depois, o jogo foi evoluindo, os passes foram saindo, os palpites certos...! Goooool! Vários goooooools! De jogo em jogo, de ponto em ponto, a dupla formada por uma mulher e um produtor de cultura começou a ameaçar o favorito: repórter experiente, com passagem pela editoria de Esportes, Eduardo Tchao...! No bolão da editoria Rio também as mulheres e os "totalmente por fora do negócio" fizeram bonito! Na lista do 1º ao 6º lugares estão quatro mulheres! Viemos com tudo! E tem uma coisa: Copa do Mundo é COOOOOPA DO MUUUUUNDO, não é só futebol, né, gente? É grito no gogó, é sangue nas veias, é coração na ponta da chuteira! Nossa final foi emocionante: o resultado saiu no último jogo (Suíça e Coréia) e deu empate (nossa regra não indicava prorrogação, nem disputa de pênaltis...)! Vitória do "dueto-mágico-Márcia Monteiro-e-Luizinho" junto com Eduardo Tchao. A foto mostra a confraternização do trio. O futebol é mesmo uma caixinha de surpresas!

Obs: Não posso deixar de registrar: Chamei o produtor Tyndaro Menezes para formar o ataque comigo, fazermos juntos o cartão e tal... A resposta foi: - Não, não...! Quero ganhar sozinho esse bolão! Vou ganhar sozinho e blá-blá-blá..." Resultado... teve que calçar a minha “amarelinha” no dia seguinte ao recebimento do prêmio... (ah, ele ficou em 23o. lugar no bolão...).

Marcia Monteiro – chefe de redação da Editoria Rio Postado por: JN na Copa
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28.06.06

Herculano e eu

"Maus pensamentos atraem maus fluidos". Quem disse isso foi Herculano Quintanilha, na novela "O Astro". Um personagem charlatão, sempre de turbante e maquiagem pesada, vivido por Francisco Cuoco em atuação memorável! Aliás, só poderia ter sido criado por Janete Clair, uma mestra na arte de entreter. Mas este é assunto pra uma conversa com o Xexéo, quem sabe um dia... Estava eu falando da tal frase. Era o ano de 77. Em plena adolescência ela me marcou, sei lá por quê. E até hoje, quando estou pessimista, me vem à cabeça. Saí da Globo nessa terça-feira me sentindo um tanto bege (um dia eu explico a minha teoria da vida bege...). Exausta! E me dei conta de que parte era culpa de um fantasma. Aquele que nos assombrou em 98. Me veio à lembrança a escalação que foi sem nunca ter sido (olha a Janete aí de novo, gente!), a do Animal no lugar do Fenômeno; a nossa seleção entrando cabisbaixa em campo na final; e os gols zunindo...Um, dois, três... Não assisti ao jogo dos nossos adversários nas quartas contra a Espanha -estava editando... - só me assustei com o placar. Zidane e sua equipe não estavam jogando nada nesta Copa! Tinham que melhorar logo agora? Ó, vida! Ó, céus!

Desço do táxi, chego em casa. Ouço vozes na sala, antes mesmo de girar a chave. Meu desânimo eu deixo no hall de entrada. Meus filhos estão de pijaminhas, já vão dormir. Beijo um, beijo outro. Paz total no coração. E aí eu me lembro da Fátima anunciando no JN: "Tem pagode no castelo!". Se nossos craques estão felizes, se eles estão festejando, que venham os franceses! Bons pensamentos atraem bons fluidos.

Angela Garambone - editora do JN Postado por: JN na Copa
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27.06.06

Ronaldo, aposenta o Zidane!

Dizem que só se chora derrota em Copa uma vez. Não aquela lágrima tímida que escorre solitária. Falo daquele chororô de engasgar, deixar os olhos vermelhos e o chorão fungando. Pois eu me enquadro nesse time, e há mais ou menos vinte anos estava ouvindo Dona Delminda falar: "Calma filho, é só um jogo de futebol". Não, mãe, não era. Era Brasil e França, minha maior decepção em mundiais. Aquele jogo da Copa de 86, no México, que todos lembram pelo pênalti perdido por Zico no tempo normal. E todos esquecem que Zico acertou o dele na decisão. O craque francês Platini perdeu. E Sócrates e Júlio César também. Para o meu consolo, depois a Alemanha despachou a França e a Copa foi mesmo do Maradona. Mas daquela tristeza eu nunca esqueci.

Depois veio a final de 98 e o Brasil mal entrou em campo. Lembro bem do Edmundo dando bronca no Rivaldo por ele ainda ter a gentileza do fair play na final de Copa do mundo perdendo pois 2 a 0 (o Petit ainda não tinha dado o golpe de misericórdia). Pelas circustâncias do jogo, não deu nem pra ficar triste. Provavelmente algum menino de nove anos deve ter colocado aquele dia na galeria dos mais chorosos da vida dele. Para mim, só deu pra ter uma pontinha de raiva daquele cara que sempre batia os escanteios e naquele dia resolveu ir para área cabecear dois gols na nossa rede. Passada a mágoa, aprendi a admirar o futebol de Zidane. E que futebol. Hoje ele fez um golaço contra a Espanha. Sábado, nos encontraremos novamente. Ouvi o Ronaldo dizer que não encara a partida como revanche, mas vai ser difícil convencer a torcida.

Antes da Copa, Monsieur Zinedine Zidane anunciou que se aposenta ao fim do mundial. Tudo que peço é que Ronaldo jogue tudo o que sempre jogou pela Seleção, e tudo o que não jogou na final de 98. O Fenômeno não nos deve nada, tem muito crédito na praça. Mas é só o singelo desejo de um menino que até hoje está esperando a máquina do tempo que pediu para o Papai Noel em 86.
Abraços,

Ricardo Jacomo - editor de texto do Esporte Postado por: JN na Copa
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27.06.06

Estamos bem

O Eric tá certo... A gente vive querendo mais e se esquece que Inglaterra, Argentina e Itália se classificaram ali, ó, ralando geral...Nós tivemos o melhor placar das oitavas (França e Espanha ainda estão jogando) e é bom pros gringos olharem e pensarem: "pô, se os caras jogam mal e metem 3 a 0, imagina quando eles estiverem bem." Agora, uma coisa que tem me deixado até espantado aqui é a reação da torcida, ou de parte dela... Vendo os jogos do Brasil pela tevê, ouço vaias quando a seleção evolui no gramado... Hoje, em Colônia, fui fazer o Alzirão deles aqui, na praça do Mercado do Feno (??!!)...Telão de plasma, barraquinhas de comidas e bebidas à vontade, o Brasil ganhando e os caras vaiando, vaiando... Aí fui fazer uma passagem e um grupo de alemães começou a gritar Gana, Gana, Gana... Acabei a passagem, abaixei o microfone e perguntei: -Escuta, quanto está o jogo??? Um rapazola, de seus 17 anos, me respondeu: Dois a zero Brasil... Eu disse: ah, sei... Me virei, fiz que ia embora, voltei e perguntei de novo: Tá quanto mermo?? O rapazola, meio irritado: Dois a zero Brasil...Aí, como um toureiro quando percebe que é hora de matar o touro, mirei e atingi entre as espáduas: Então não tira o olho do telão, porque pode ser que vocês vejam mais um gol (pausa) do Brasil...E saí... Não tinha me afastado nem dez metros e o Zé Roberto fez o dele... Nem olhei pra trás, mas eles devem ter ouvido minha gargalhada...P.S.: Ô Angela, é verdade que o Parreira vai dar uma folga pro Ronaldinho ir à Espanha buscar o futebol dele???

Ari Peixoto - repórter Postado por: JN na Copa
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27.06.06

Avançando

O hino de Gana fala em "resistir à autoridade do opressor" e o técnico deles, que é croata e não ganense, quis impôr a idéia de que o juiz estava favorecendo o Brasil. Adriano estava impedido no segundo gol, mas uma jogada regular do Ronaldo foi considerada irregular. Ou seja, o árbitro errou algumas vezes, mas não comprometeu. Segurou a pancadaria, deu seis cartões amarelos (pelas minhas contas) e um vermelho. Gana lutou o tempo todo e deu pena ver os jogadores saindo de campo tão abatidos. Ganhamos novamente, é o que importa. Mas, mais uma vez, o Parreira vai achar que está escalando o time certo. É de uma teimosia assustadora. Mas não quero falar dele. Quero falar do Lúcio, do Gaúcho e do Ronaldo. Nosso paqui, nosso gordinho tem estrela. Fez o gol que nos deu tranquilidade na partida. É o maior artilheiro em Copas e fecha definitivamente a boca de quem queria vê-lo no banco (eu já quis também...). O xará Gaúcho é o maior solitário dessa seleção. Está jogando o jogo que não é o dele, está obedecendo ao esquema tático, tem servido bem os colegas e não recebe nada em troca. Somente críticas. Hoje se irritou com o egoísmo do Cafu que preferiu jogar em cima do goleiro Kingson a passar a bola pra ele. No fim do jogo as câmeras mostraram um Ronaldinho com cara de poucos amigos. E é o que está parecendo mesmo. Pra fechar, o Lúcio. A vibração dele ao ver que a jogada que armou terminou em gol foi emocionante. Um grito que se ouviu no mundo inteiro, mesmo sem nenhum microfone por perto.

Ah, pra fechar melhor ainda: Zé Roberto é o nosso Fio Maravilha, só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol.

Angela Garambone - editora do JN Postado por: JN na Copa
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