Jornal Nacional na CopaJornal Nacional na Copa
23.06.06

Nosotros y los hermanos



Cheguei ao estádio de Dortmund três horas antes da partida. Depois de passar pelo TV Compound, que é a área ao lado do estádio onde editamos as reportagens do JN depois do jogo, subi para meu lugar na arquibancada: setor 32, fileira 9, cadeira 47. Perto de mim, quatro argentinos - dois adultos e dois garotos - secavam o Brasil despudoradamente.
Quando o Japão fez 1 x 0, eles se juntaram à comemoração da torcida nipônica. Quando Ronaldo empatou de cabeça, eles se afundaram na cadeira. No segundo tempo, a cada gol brasileiro, o grupo de argentinos balançava a cabeça negativamente.
Educadamente, nós brasileiros, nada dizíamos a eles. Logo depois do último gol de Ronaldo, eles se levantam para ir embora. Aí, perdoe-me o livro de etiqueta do Itamaraty, mas não resisti e disse ao mais velho deles:
"Está cedo, fiquem um pouco mais. É capaz de sair mais um gol pelo menos". Ele sorriu e disse: "Nos vemos na final, em Berlim". Tem gente que prefere outra final, se a seleção for tão longe na Copa. Eu defendo a tese contrária: Brasil x Argentina, a final que nunca houve em Copas, seria memorável.
Estou contando os minutos para que chegue a hora.

Mariano Boni - Chefe de Redação, SP, da redação da Alemanha Postado por: JN na Copa
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23.06.06

Os donos da bola - e o dono da voz

O jogo do Brasil contra o Japão estava repleto de simbolismos, a começar pelos hinos. O Japão canta primeiro. Alex, o brasuca naturalizado japa, balbucia o que parece ser a letra do hino japonês. Chega a vez do "Ouviram do Ipiranga...", a gente se levanta, observa o semblante de cada jogador e, de repente, uma imagem histórica: Zico também de pé canta a plenos pulmões! Sensacional! Não poderíamos mesmo esperar outra atitude dele. Ali no campo Zico era dois: o técnico da seleção adversária do Brasil e um brasileiro. E todo brasileiro se emociona ao ouvir o nosso hino em estádios de futebol, ainda mais em Copa do Mundo. De quatro em quatro anos o verde e o amarelo juntos deixam de ser cafonas, o amor à pátria renasce das cinzas e nos toma completamente.
Claro que todo esse furor nacionalista não nos impede de zoar, mesmo que tenhamos que reconhecer que o Parreira teve coragem de mexer bem no time, que o Ronaldo voltou a brilhar, que o Gilberto que não vinha fazendo uma grande partida se superou com o gol... E, assim, relato de novo o que se ouviu aqui na redação durante os 90 e tantos minutos:
- (nas jogadas do Cicinho) Adeus, Cafu!
- (nas saídas de bola do Brasil) Fiquem brincando aí, seus lentos!
- Vai, Robinho!
- Esse é o Ronaldinho...
- Ah, é...
- (numa furada do Lúcio) Peladeiro de várzea!
- Trinta minutos e nada!
- Estamos correndo melhor - eu acho...
- Quem não faz leva.
(Silêncio no gol do Japão - 2 segundos de silêncio, vá lá!)
- Vai ser goleada agora!
- Nippon! Nippon!!
- Ronaldinho parece que está com o rabo preso!
- Ai, meu Deus! Ai, meu Deus! Gooooooollllllllll!!!!!!!!!!!!!
Pulos e abraços na redação, e um coro que se repetiu várias vezes, compassado, ritmado pelo batuque nas mesas, além do apito final:
- Gor-dô! Gor-dô! Gor-dô!
Carinhosamente, é claro... E ainda temos que aprimorar nossa hola pro jogo contra Gana.

Angela Garambone - editora do JN Postado por: JN na Copa
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22.06.06

Brasileiríssimo

E o Brasil entrou em campo. A alma do futebol brasileiro entrou em campo. Ronaldo entrou em campo, Juninho, Cicinho, Gilberto e Robinho também.

E daí que levamos um gol? Fizemos quatro! Essa sempre foi a nossa fiolosofia de jogo, e graças a ela conquistamos quatro mundiais. Em 94, sob o comando do mesmo Parreira, entramos para nos defender. Era necessário, só tínhamos dois craques no time, o meio-campo era terra infértil, seca, nada brotava dali. Hoje é diferente. Temos time pra sufocar impiedosamente os adversários - mesmo que soframos uns sustos lá atrás.

Hoje foi assim: um verdadeiro banho de bola, digno da camisa amarela.

Chico Walcacer - editor do JN Postado por: JN na Copa
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22.06.06

O que você faria cons uns quilinhos a menos?

Vocês se lembram daquela propaganda de um remédio pra emagrecer onde se perguntava: " O que você faria com uns quilinhos a menos?"
Pois é...
A resposta do Ronaldo - o fenômeno: Gol!!!!
( fenômeno porque, dizem as moças aqui da redação que, não é fácil perder cinco quilos em menos de duas semanas)

Bia Almeida, da redação de São Paulo

Postado por: JN na Copa
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22.06.06

Gana, sei não!


A seleção brasileira não precisa - e não pode - temer nenhum adversário. Temos futebol de sobra para trazer a taça.
Mas não gostei da classificação de Gana, ou por outra: gostei da classificação, mas não queria os africanos como primeiros adversários no mata-mata. São fortes, rápidos, jogam pra frente - e têm um histórico de vitórias sobre o Brasil.
"Ora, Copa do Mundo é outra coisa, completamente diferente dos Jogos Olímpicos, que tradição eles têm?" - dirão os editores de esporte. É verdade, mas em 96 tínhamos Ronaldo (no auge), Bebeto, Rivaldo e Aldair. E perdemos. Como perdemos também em 2000, para Camarões. Tudo na morte súbita.
Enfim, os caras são uns irresponsáveis. Atacam com tudo, deixam espaços, podem (e devem) tremer. Mas é aquilo: não têm nada a perder e vão jogar a partida da vida deles.

Ainda assim, sou mais Brasil.

Chico Walcacer - editor do JN Postado por: JN na Copa
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22.06.06

Gana, que bom!

Surgiu um debate intenso que quase virou embate aqui na redação. O jogo contra o Japão ainda vai começar, mas considerando a fortíssima possibilidade de o Brasil terminar como primeiro do grupo F, nos dividimos entre achar que Gana seria ou não um adversário mais difícil do que a Itália. Eu já escrevi aqui no blog que preferia Gana, e mantenho minha opinião. Brasil e Itália seriam oito títulos mundiais em campo, 5 nossos e 3 deles. Contra Gana, são só as nossas cinco estrelas para fazer eles tremerem. E eles vão tremer, a história das Copas mostra isso. Ainda lembro que quase toda Copa do mundo tem sempre uma seleção africana sensação que raramente passa das oitavas (minha memória agora só recorda de Camarões nas quartas em 90)Quem viu o ótimo jogo em que os africanos venceram os tchecos, deve ter percebido que, mesmo com as grandes defesa de Cech, eles perdem inúmeras chances de gols. Inclusive, um pênalti. Contra o Brasil eles não podem pensar em perder nem metade dessas oportunidades. Vou me deixar empolgar um pouco e dizer, pode anotar aí: Brasil nas quartas-de-final.

Ricardo Jacomo - editor de texto do Esporte Postado por: JN na Copa
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22.06.06
O casal Sandra Annenberg e Ernesto Paglia no Estádio Olímpico de Berlim Postado por: JN na Copa
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22.06.06

Notícias do bolão de Nova York

Incrível!!!!!!!!!!!!

Só dizendo assim.

Como em qualquer empresa brasileira, aqui na Globo-NY a Copa também é o único assunto.

E além das partidas, é o nosso bolão que movimenta as discussões diárias. Tentei não responder às provocações dos meus colegas do sexo masculino... Eles não se conformam em ver uma mulher liderando, desde o primeiro jogo. Continuam duvidando que uma mulher possa gostar e até entender um pouco de futebol.

Agora, a acusação do Kovalick passou da conta.

Ele teve coragem de dizer que eu não sabia que poderia haver empate na Copa.

Meu caro Kova, nesta primeira fase marquei apenas vitórias e derrotas porque torço para não haver empate.

Fiz o bolão com a mesma paixão que tenho pelo futebol. Minha amiga Cristiana fez o mesmo, mas acabou cedendo às pressões masculinas e incluiu uns empates de última hora. Resultado: está em segundo lugar e não em primeiro, empatada comigo, como deveria.

Mas tudo bem. Não são apenas meus colegas brasileiros que se espantam...

Depois do empate US X Itália, fui a um churrasco na casa de um brasileiro que trabalha com muitos italianos. Tive que brincar com eles, claro! Eles estavam muito encabulados com o empate. Mas apostaram que o Brasil passaria pelo mesmo problema no jogo com a Austrália. Apostei na nossa vitória e os italianos prometeram me telefonar depois do jogo prá "curtir com a minha cara". Até agora, o telefone não tocou...

Heloisa Villela , da redação de Nova York Postado por: JN na Copa
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21.06.06

Desgosto profundo

E se faltasse a seleção brasileira no mundo? Pra quem você torceria? Antes de mais nada, vamos nos benzer - um, dois três... bater na madeira. Só como hipótese, será que é possível ter um segundo time, tipo um plano "B"?

Para os corintianos, ficou fácil. Já tem torcedor do timão vibrando secretamente com as jogadas do Tevez, comemorando gol e tudo - uma conexão Parque São Jorge-Casa Rosada. Para os torcedores do Vasco, a relação fica fácil com Portugal; assim como o palmeirenses com a Itália. Acho que muito baiano podia até se reencontrar com as raízes africanas, quem sabe....

E os tricolores como eu, os cruzeirenses, os são-paulinos, os santistas, os colorados? Flamenguista, por exemplo, tem cara de que arrastaria a asa para que seleção? Angola tem vermelho e preto na camisa.. Mas não empolga ninguém... Enfim, pra quem vc torceria na hipótese indesejada de um tropeço prematuro do time dos melhores do mundo?...

Vinicius Menezes - editor do JN Postado por: JN na Copa
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21.06.06
Rodando pelas ruas de Hamburgo, deparamos com este outdoor em vários lugares da cidade...O nome da cantora parece brasileiro, mas o rosto dela tá mais pra árabe, repara só...Alguém conhece???"

Ari Peixoto - repórter
Postado por: JN na Copa
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