Jornal Nacional na CopaJornal Nacional na Copa
20.06.06

O time desfalcado do Jornal Nacional


Sempre da esquerda pra direita – de pé: Bonner, Ávila, Eric, Bauer, Basbaum, Vinicius e Beth. Agachados: Carol, Angela, Jacomo, Lili e Chico. Aliás, é da Lili Yusim uma frase sensacional: ”Pra mim os Beatles são o verdadeiro quadrado mágico!”. Lembrem-se que ela era locutora da Fluminense (Maldita) FM. Postado por: JN na Copa
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20.06.06

Segurança cinematográfica




"Caraca, que segurança... Foi o que disse hoje cedo ao cinegrafista William Torgano, quando fomos gravar o treino da seleção dos EUA, em Norderstedt, cidade da região metropolitana de Hamburgo...Pena que um dos principais seguranças não aparece na foto, já tinha ido embora... Um cão pastor alemão (claro, né, ô anta!) foi nossa primeira parada... Pusemos equipamentos e bolsas no chão e o bicho veio farejar (confesso que tava com o maior medo dele cismar de marcar território sobre nossas coisas...) Depois do cão, o policial alemão (um dos caras de calça verde, ao fundo) abriu tudo, futucou, mexeu, remexeu...Fomos liberados... Aí, um segurança alemão(um dos armários de preto com colete laranja) me pediu passaporte.. Passaporte?? Ya!!! You mean, passport, passport??? Ya!!! Mostrei, ele conferiu, com delicadeza peculiar, com a minha credencial... Mais uma etapa vencida... Outro policial pede que espere um pouco e diz que vai ver o que tenho nos bolsos e, ato contínuo, começa a me apalpar...Um bolso, outro bolso, o bolso de trás (epa!!), me revista (epa, epa!!!) e se dá por satisfeito... O William passou pelo mesmo processo... Só aí fomos liberados para entrar, mas nos 150 metros entre esta porta e o campo, fomos acompanhados por uma policial...E lá dentro, havia mais uns 50, 60 policiais, seguranças, leões de chácara, provavelmente agentes da CIA, NSA e FBI devidamente disfarçados (fiquei achando que a qualquer momento ia ver o Tom Cruise). Foi, enfim, o maior esquema de segurança que eu vi com a delegação americana na Alemanha...Parece que justificativa é a grande colônia árabe na cidade (meu hotel tem quatro ou cinco canais, incluindo a Al-Jazeera) e me disseram que os planos do 9/11 foram discutidos pela primeira vez aqui, em Hamburgo..."

Ari Peixoto - Repórter Postado por: JN na Copa
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20.06.06

Sopa de Letrinhas


Kaiserlautern, Königstein, Leipzig, Gelsenkirchen, Sydenstricker... ops! Este último é o meu último sobrenome. Acho facílimo de falar, mas os que o antecedem... Fátima e a nossa equipe na Alemanha estão em Bergisch Gladbach. E ela fala o nome da cidade sem titubear! Fez poucas aulas de alemão, mas fala com uma naturalidade... Deve ser mole pra quem, quatro anos atrás, tinha que pronunciar nomes em coreano, em japonês: Ulsan, Pusan, Sapporo, Shizuoka, Incheon, Daejeon, Gwangju... Que bom que a próxima copa é na África do Sul! Lá fala-se inglês em todas as províncias (the book is on the table!), mas há outras dez línguas oficiais, entre elas zulu, xhosa, isiNdebele, Tsonga e Tswan. Hum, não sei não...

PS: Se por acaso alguém se interessar pela pronúncia do Sydenstricker, fala-se Saidenstriquêr. Em alemão seria Záidenstriquer. O sobrenome rodou o mundo até os Estados Unidos, onde ganhou este y. Mas esta é outra história...

Angela Garambone - editora do JN Postado por: JN na Copa
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20.06.06

Ronaldos

Eu estou no time dos que acham que o pior Ronaldo até agora é o Gaúcho. Quem é peladeiro sabe que o maior mico é pisar na bola. O segundo é furar. Portanto, a voz dos campos decreta o ranking dos piores. Mas não é só isso. O Gaúcho pega muito na bola e não faz nada com ela. O Gaúcho é o melhor do mundo há dois anos e não acerta lançamentos, não chuta a gol, não dá passes preciosos. Longe disso. Dizer que está posicionado de forma equivocada, que tem que voltar para marcar, que isso, que aquilo, não justifica. Pra mim, é conversa fiada. O cara tem a bola muito tempo nos pés e isso, tanto faz se atrás ou na frente, é suficiente pra um craque dar show. Um chapéu, uma bola debaixo das pernas, um drible desconcertante, um passe mágico. Mas não, Ronaldinho Gaúcho dá passe de lado e fica parado. Não se aventura. Dizer que é culpa do Parreira é desconhecimento de causa. Tanto de quem diz quanto de quem concorda. Parreira é o Parreira. O que esperar dele? Mas do Gaúcho, a gente espera muito mais.

Luiz Fernando Ávila – editor do JN Postado por: JN na Copa
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20.06.06

Ídolo humilde


SHEVA, SHEVA, SHEVA... O grito dos torcedores ucranianos ontem no estádio de Hamburgo mostra bem a adoração que eles têm pelo Shevchenko... Que ontem, graças a Deus, jogou bem, marcou um gol (malandro, empurrou o zagueirão árabe), enfim, quebrou aquela corrente negativa de que falei outro dia...E olha que ele ainda não está lá essas coisas não, tá sem preparo físico, mas a técnica está lá...Foi muito bom ver um time que, embora limitado tecnicamente, jogou pra frente, espantou logo a zebra, e depois correu atrás pra fazer um placar ainda maior do que aquele que levou da Espanha...A Ucrânia mostrou que pode dar trabalho...E de sobra, na zona mista -área de entrevistas-, o Sheva ainda foi supersimpático com a nossa equipe...Como ele não fala inglês, me deu uma entrevista em italiano... E foi humilde ao dizer que se emocionou na hora do gol dele, o primeiro numa Copa do Mundo...

Ari Peixoto - repórter Postado por: JN na Copa
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19.06.06
Depois de Émerson e Ricardo Mattos, Dedé Santana e o técnico dos Estados Unidos, mais um clone na Copa da Alemanha:

Fred é a cara do ator Bruno Garcia. O Fred é o da direita.

Angela Garambone – editora do JN, com a ajuda da Vera Albuquerque, do Cedoc Postado por: JN na Copa
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19.06.06

Craques ao vivo



O legal de você estar numa copa é que é possível ver de perto aqueles astros que a gente só vê na tevê, naqueles jogos de meio de semana, tipo Barcelona e Chelsea, Juventus e Milan, essas coisas... Mas, sem contar os argentinos, também tem o seguinte: fui fazer Trinidad & Tobago e Suécia... Oba, vou ver de perto o Larsson, o Ibrahimovic, o Ljunberg, os caras vão arrebentar, fizeram trinta gols em dez jogos nas eliminatórias...Um sol infernal, um calor danado, três ou quatro sorvetes, mas gol que é bom, nada... Resultado, 0 a 0...República Checa e EUA... Oba, tem o Nedved e o Kasey ´A Muralha´Keller, jogão... Putz, com cinco minutos um cara de 2,02m derrubou A Muralha -e ela caiu mais duas vezes...Cadê o Nedved ?Jogou se poupando visivelmente... Depois do terceiro então, ficou batendo papo com o gandula e sumiu de vez...Alemanha e Polônia, Ballack voltando, Klose e Podolski, poloneses de nascimento, mas alemães de coração, vão botar pra quebrar em cima dos polacos Estes dois últimos perderam gols que, francamente, nem eu...E o bonitão do Ballack só armandinho, pra lá e pra cá, dando bronca em todo mundo, até no médico do time alemão, que permitiu que a maca entrasse em campo pra socorrer ele -pelos gestos, ele tava reclamando que não podia perder tanto tempo... No fim, vi foi um baixinho batatudo de nome engraçado, Odonka, mais gordo que qualquer Ronaldo que eu conheço, correr pela direita e cruzar pra outro baixinho, Neuville, livrar os alemães do sufoco aos 44 do segundo tempo...Caraca, será que não acerto uma? Hoje tem outra chance: vou ver Schevchenko, ao vivo, contra os árabes...Se esse cara não jogar nada também vou achar que as eliminatórias européias são uma baba e que nós, aqui do cone sul, é que ralamos pra chegar à Copa...

Ari Peixoto - repórter
Postado por: JN na Copa
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19.06.06

Torcedor Poliana

O lado positivo dessas atuações meia bomba do Brasil é que não somos mais favoritos pra nada. Nem contra o Japão, temos convicção de que faremos uma grande partida. E já damos como certo o sofrimento, nas oitavas, quartas, sabe-se lá. Menos peso pro time e pra torcida. Vamos tentar ser campeões sem pressa...

Espanhóis, alemães e, especialmente, os argentinos é que têm agora a obrigação de golear, dar show, impressionar... Como ex-favoritos, o melhor é jogarmos o suficiente, sem ostenção. E depois a gente acerta as contas com os novos favoritos lá na frente - quem sabe se na final?

Vinicius Menezes - editor do JN Postado por: JN na Copa
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19.06.06

Gol de ouro

A Fifa reviveu os dois tempos completos de prorrogação na Copa. Tudo bem, ainda não chegamos às oitavas, mas nunca simpatizei com o tal do gol de ouro. Na prática, ninguém atacava (a não ser os "irresponsáveis" africanos, que assim nos eliminaram duas vezes em olimpíadas). Sem o pavor da eliminação instantânea, as prorrogações devem ser mais animadas. E o Brasil que se cuide. Se continuarmos jogando assim, o empate será sempre um resultado muito provável.

Morte súbita

Acordei no sábado sob o impacto da morte do Bussunda. Colega de academia nos últimos meses, ele respondia sempre timidamente às minhas considerações sobre o nosso Flamengo. E olha que entre elogios e críticas o Mengão é sempre pauta quente. Mas o Bussunda da vida real era na dele pra caramba. Às vezes, me presenteava com um trocadilho bem sacado.

Que volta e meia, eu repetia como se fosse meu.

Chico Walcacer - editor do JN Postado por: JN na Copa
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19.06.06

Mais duas horas de paciência

Desde a última Copa, criei o hábito de assistir sozinho aos jogos do Brasil para fugir da gritaria da redação e dos palpites alheios. No intervalo, deixo o meu esconderijo para resenhar sobre o primeiro tempo e depois volto pro cafofo de onde só saio quando a partida acaba. Sou dos torcedores mais pacientes que a Seleção tem, e em Copa do Mundo acho que a primeira fase não conta tanto. Depois, como diriam os gaúchos, é a hora de separar os homens dos guris. Tradicionalmente nestes momentos muitos times amarelam, inversamente ao que costuma acontecer com a equipe que veste a Amarelinha. Tenho visto e ouvido muita gente já indignada com o Brasil, principalmente com Parreira. Ainda acho que é precipitação. Calma, gente! É claro, não sou louco de dizer que as duas atuações foram belas, convincentes. Deu para gasto e o time melhorou de um jogo para o outro. Por enquanto estou tranqüilo, a minha paciência vai durar até os 25 minutos do primeiro tempo do jogo das oitavas-de-final, ou seja, mais 115 minutos. Com os acréscimos, vamos arredondar para duas horas. Confio que até lá a torcida já vai ter suspirado e dito "este sim é o Brasil que eu quero ver". Senão, a maionese começa a azedar e a partir daí faço minhas lamúrias. Enquanto isso, espero por Itália ou Gana ou República Tcheca ou até mesmo os EUA. Para mim, os italianos seriam os mais perigosos e os ganeses, os ideais.

Abraços,

Ricardo Jacomo - editor de texto do Esporte. Postado por: JN na Copa
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