16.06.06
Amargo e gelado
Adoçante aqui na Alemanha é produto raro.
A cada pedido, um constrangimento. O café esfria e o garçom não chega com a raridade.
Mas igual a hoje, em Munique, nunca tinha visto nesses quase vinte dias de Alemanha. O pacotinho de adoçante estava amarrado com elástico dentro de uma latinha, que fica guardada numa bolsinha, dentro do bolso da calça do garçom. Que tal? Tomei mais um café gelado.
Fátima Bernardes
Postado por: JN na Copa
16.06.06
Quem sabe faz ao vivo

Muita gente nos perguntou como a Fátima Bernardes teve o controle da situação ao apresentar o JN com a torcida brasileira atrás, quietinha, no início da semana. Estavam todos em frente ao hotel da seleção, na madrugada fria de Berlim. Madrugada fria, eu disse; o público estava quente, fazendo gracinha, dando tchauzinho pra câmera... Fátima conta singelamente que se lembrou dos tempos em que dava aulas de balé. Com crianças - e torcedores - se negocia. E a Fátima já abriu o jornal elogiando os companheiros de cena. Fora do ar pediu cooperação. E ela tem moral. O Galvão ajudou, orquestrando o zum-zum-zum entre uma reportagem e outra. Aqui no Brasil adoramos a figuração luxuosa dos nossos torcedores - e respiramos aliviados quando tudo terminou.
Angela Garambone - editora do JN
Postado por: JN na Copa
16.06.06
Equador guerreiro
Copa do Mundo também é cultura. Quando na minha vida pensei que me interessaria pelo hino do Equador? Desde que a Globo passou a botar a letra dos hinos antes das partidas, passo os olhos. E o do Equador me chamou a atenção pela revolta (justificada) contra a colonização (bárbara) espanhola. Diz um trecho:
"Teus filhos indignados com o jugo
Imposto pela audácia ibérica
Da horrenda e injusta desgraça
Que pesava fatal sobre ti
Santa voz os céus alçaram
Voz de nobre e sem par juramento
De vingar-se do monstro sangrento
De romper este jugo servil"
Nunca imaginei que aquele país ali no cantinho esquerdo do mapa tivesse um hino tão impressionante e poético! Me lembrou, sei lá por que, Castro Alves... Viva a liberdade! E viva também a paz entre os povos. O Equador não sai por aí declarando guerra pra Espanha de hoje, um país que adoro, conheço boa parte dele e tenho um primo morando lá. Por via das dúvidas, fui olhar a tabela. Equador e Espanha não se pegam na próxima fase, pelo menos. Chega de tensão em campo: Portugal x Angola, Alemanha x Polônia... E, pra fechar esse texto cheia de esperança, mais um trecho do hit da pátria equatoriana: "Oh, Pátria! Glória a Ti! Teu peito já transborda gozo e paz".
Angela Garambone - editora do JN
Postado por: JN na Copa
16.06.06
De volta a 78
Sendo esta a minha oitava Copa do mundo trabalhando na TV Globo, hoje me vi na Copa de 1978. Época de um polêmico mundial em plena ditadura. Fora aquela suspeita de armação no jogo Argentina e Peru, que a Argentina goleou pelos mesmos 6 x 0 de hoje sobre a Sérvia, indo para final contra a Holanda. Hoje a Argentina jogou muito bem, dando um show em cima dos sérvios. E a Holanda também garantiu a sua vaga nas oitavas de final, tendo em campo um tal de Robben, eleito o melhor jogador na vitória sobre a Costa do Marfim. Portanto, gente, precisamos ficar de olho.
Ricardito Farias - editor de imagem do JN
Postado por: JN na Copa
16.06.06

Quem é o Emerson e quem é o Ricardo Mattos?
Ricardo é supervisor de operações do Jornalismo da Globo, um dos nossos anjos da guarda nas entradas ao vivo. É o moço da direita... Eu acho...
Angela Garambone – editora do JN
Postado por: JN na Copa
16.06.06
El Cuadrado Mágico
Riquelme, Sorín, Crespo, Saviola, Tévez e Messi. Entre titulares e reservas, uma linha de muito respeito. Quase medo.
Nuestros hermanos deram de 6. Mais que isso, jogaram um futebol solidário e altamente técnico. Dois gols expressam a verdadeira dimensão da vitória portenha: o segundo, de Cambiasso, e o quinto, de Tévez. Um foi o mais cristalino exemplo do "toco y me voy" da escola argentina, 24 passes e um chute - com requintes de crueldade. Gol de time afinado.
Tévez fez o gol do talento, bola entre as pernas, bola no canto, sorriso pontudo no rosto.
Já os sorrisos, aqui na redação, são nervosos - e não é pra menos. Cheios de craques e sem estardalhaço, os caras estão comendo a bola. Com muito estardalhaço e pouca bola, nossos craques (dizem) estão comendo muito.
Atuação de gala, até aqui, só a dos argentinos.
Chico Walcacer - editor do JN
Postado por: JN na Copa
16.06.06
Eles

Buenos Aires, 18 de dezembro de 2005. Bombonera. Vi homens, velhos e crianças chorando, do fundo da alma castelhana. Boca Juniors campeão da Copa Sul-Americana. Empate no tempo normal no segundo jogo da decisão contra o Pumas do México. Abbondanzieri defendeu dois pênaltis e correu para marcar a penalidade do título. Página gloriosa da história boquense.
Aprendi na cancha, eles torcem mais do que nós. Nós jogamos mais do que eles, um pouco. O time que tomou 4 x 1 na Copa das Confederações é o mesmo que fez 3 x1 no Monumental de Nuñez nas Eliminatórias.
Muita admiração e respeito por nossos melhores inimigos.
Mas eles são bi e nós somos penta.
Sem alarmismo ou oba-oba, a Copa só começa nas oitavas.
Abraços,
Ricardo Jacomo - Editor de texto do Esporte
Postado por: JN na Copa
15.06.06
Chuteiras mortais
Uma coisas os especialistas podiam explicar: por que os jogadores derrapam tanto durante os jogos? Daqui das nossas televisões no Brasil, o campo parece um tapete uniforme com a grama bem cortada, tudo na medida. Chuva também a gente não conseguiu ver, nem garoa. Mesmo assim, basta alguém se empolgar que lá vem o escorregão. O atacante dribla o zagueiro, limpa a jogada e, de frente pro gol, cai sentado. O meia dá aquela olhada geral, arma o lançamento sensacional, mas não acha ninguém e ainda beija a grama. Parecem jogadores argentinos de propaganda de cerveja brasileira.
Com tanta tecnologia nos pés, craques de todos os times e marcas têm mais dificuldade para parar de pé do que há quatro, oito, doze anos. Não entendo de chuteira, mas os fabricantes também não têm feito tanto sucesso este ano. Depois das bolhas do Ronaldo, da fratura no pé do inglês Rooney, agora essa patinação na grama...
Vinicius Menezes - editor do JN
Postado por: JN na Copa
15.06.06
Algo de errado no front
Ontem no Jornal Nacional João Pedro Paes Leme contou que a Austrália cogita poupar jogadores com cartões amarelos, deixando-os no banco no jogo contra o Brasil. Hoje abro o jornal e está lá a declaração do atacante australiano Viduka: "Os brasileiros devem estar preocupados". Esfrego os olhos e leio de novo: "Os brasileiros devem estar preocupados". Estava estragada a cerveja que esse cara tomou? É unânime que não fizemos uma boa partida de estréia, mas daí a acharem que vamos tremer diante dos australianos é um pouco demais! Temos uma seleção maravilhosa, cheia de craques, inclusive o Ronaldo. Se ele deve ser barrado, isso é com o Parreira e com o dr. Runco. Meu palpite aqui de longe de nada conta. E se lembrarmos apenas das duas últimas Copas, o placar está 1x1 pro gord...ops, bem, pro fofinho... Ronaldo nos fez perder na França, Ronaldo nos fez penta em 2002. Se o desempate virá agora, só Deus sabe. Esse oba-oba discreto da seleção australiana é um espanto! Daqui a pouco vão nos chamar de "A Grande Zebra da Copa". Menos, gente, bem menos... Ainda somos favoritos. Quero ver de novo o brilho nos olhos do Ronaldo e o sorriso dentuço do Ronaldinho. Abatimento logo no primeiro jogo da primeira fase não se justifica.
PS: quem jogará com a camisa amarela? Nós ou os cangurus?
Angela Garambone - editora do JN
Postado por: JN na Copa
15.06.06
Copa de 70
Tive uma infância de magia no futebol. Peladeiro de toda hora e todos os campos e ruas, era , como sou, torcedor do Atlético Mineiro. Time quase imbatível, com jogadores mágicos, como Lola, Vanderlei, Grapete, o ponta Tião, o lateral uruguaio Cincunegui e o xerife Oldair. No banco, o terrível Yustrich e o sereno Telê Santana revezavam-se, dando-me a impressão de infinito. Tanto que foi campeão em 71. A seleção brasileira, então, era um sonho. Quase tão imbatível como o meu time. Quase, porque a única derrota sairia numa tarde quente de domingo no Mineirão, justamente para o Atlético. 2 a 1. Pelé, Tostão, (do inimigo quase tão poderoso Cruzeiro)e Rivelino não foram páreo naquele dia. Meu pai, eu e meu irmão vibramos como nunca.
Mas o Brasil era um encanto. A Copa de 70 vi em preto e branco, com a família toda reunida. Tinha profunda pena de todos os nossos adversários. Pensava: coitados, sabem que vão perder. Tomara que a derrota seja de pouco. Mas não. Veio a Thecoslováquia e a gente meteu logo 4 a 1. Jairzinho fez o nome do pai e meu coração doeu. Depois, um a um nossos adversários foram sucumbindo a um talento que eu imaginava único. Éramos os reis. Tínhamos Pelé, Gérson, Clodoaldo.
Chegou o dia da final contra a Itália. No intervalo, 1 a 1, cruzei pelo meu pai na cozinha, um homem grande, à época o maior de todos, que murmurou: é, tá dificil. Não entendi a razão da preocupação. Éramos o Brasil. No segundo tempo, brincamos em campo. 4 a 1 e um show inesquecível.
Hoje, continuo torcendo, acreditando no quadrado mágico. Mas não tem mais magia. Pode ser que eu tenha mudado. Pode ser o mundo. Pode ser a seleção. Mas continuo torcendo e esperando que nossos ídolos de antes iluminem os de agora. Vamos lá, Brasil!
Luiz Fernando Ávila - editor do JN
Postado por: JN na Copa